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H2 Homem

H2 Homem

Há dias em que fecho os olhos e consigo ver tudo. Outros onde, por mais que olhe, não consigo vislumbrar o que está ali, mesmo à frente do meu nariz. O que me leva a concluir que nós só vemos o que queremos ver. Umas vezes porque nos dá jeito, outras porque pode não dar jeito a outras pessoas. Ter as vistas curtas pode ser um entrave, mas também pode ser uma forma de empurrar com a barriga as decisões que não queremos tomar. Quando não queremos ver o que se está mesmo a ver, é porque temos a esperança que as coisas se tornem mais nítidas. Que sejamos nós que as estamos a destorcer. Porque se há coisa que não mente são os olhos. Eles dizem tanto. E nós achamos que se não falarmos não somos vistos. Mas a verdade é que os nossos olhos falam por nós. Eles gritam tudo o que vai cá por dentro: o vazio, a solidão, a saudade. E não há nada pior do que o vazio num olhar. Porque o vazio é o fim da linha, o fim da esperança. E a esperança é sempre a última a morrer. Por isso é que se calhar eu uso óculos: para ajudar-me a mim mesmo a ver-me melhor. Estão a ver?